Influência da mídia na promoção do consumo infantil

 Por: Renata do Vale                                                                                                                             Bolsista do Programa de Educação Tutorial                                                                                     Licenciatura em Pedagogia- UFBA

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       Vivemos em um século no qual a tecnologia avança cada vez mais rápida, seja através da internet, da televisão, radio, entre outros. Cada vez mais cedo, as crianças entram em contato com esse universo comunicativo criado nesse contexto. Sabendo disso, e por considerá-las um público de fácil persuasão, as crianças frequentemente são alvos de publicidades. É só ligar a TV ou acessar a internet, para que se possa constatar de que maneira as nossas crianças são bombardeadas, por informações que as induzem ao consumo. São propagandas de alimentos, roupas, brinquedos, produzidos de forma lúdica com elementos do universo infantil e palavras imperativas como: compre, use, tenha etc.

       Esses anúncios têm como único objetivo invadir o imaginário infantil e criar necessidades de consumo que, na maioria das vezes, são inexistentes.O público infantil está especialmente vulnerável ao marketing, por sua dificuldade em perceber a intenção persuasiva que motiva a propaganda. Crianças de até seis anos não reconhecem a diferença entre um programa de televisão e uma peça publicitária, enquanto crianças com até 12 anos não são capazes de compreender com clareza o objetivo de uma propaganda, nem de perceber sua(s) estratégia(s) de persuasão para o consumo (IGLESIAS, CALDAS & LEMOS, 2013).

      No Brasil, a principal ferramenta do mercado para a persuasão do público infantil é a publicidade na TV e Internet. Segundo pesquisa realizada, no ano de 2003, pelo Instituto Interscience Informação e Tecnologia Aplicada, 80% das decisões de compra de uma família são influenciadas pelas crianças, e estas quando são impactadas desde cedo tendem a ser consumidores fiéis às marcas e ao hábito consumista. No âmbito da alimentação, a publicidade é crescente no Brasil impulsionada pelas estratégias de comunicação mercadológica de produtos alimentícios industrializados, com alto teor de gorduras e açúcares. Observa-se uma alteração nas refeições das nossas crianças brasileiras, o que têm contribuído para a obesidade infantil. Em março de 2012, dados do Ministério da Saúde, apontaram que, uma em cada três crianças brasileiras na faixa etária entre 5 e 9 anos estão acima do peso.

        De acordo com pesquisadores que fizeram estudos com a programação infantil das duas maiores redes de televisão do país, as propagandas alimentícias são quase sempre de alimentos não saudáveis. Do total de peças publicitárias de alimentos na TV, em todos os horários, 96,7% são de produtos gordurosos e com alto teor de açúcar ou sal (ANDRADE e ACEVEDO, 2014).

     Em nosso país, o Conselho Nacional Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) é o órgão responsável pela fiscalização indevida de propaganda destinada às crianças. A última atualização do órgão foi a incorporação de regras mais severas ao Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, o qual condena a ação de merchandising ou publicidade indireta contratada que empregue crianças, elementos do universo infantil ou outros artifícios com a deliberada finalidade de captar a atenção desse público específico, qualquer que seja o veículo utilizado (CONAR, 2013).

      A proibição da propaganda destinada a crianças também é defendida por entidades e movimentos da sociedade civil que atuam na defesa dos direitos da criança e do adolescente, um exemplo é o Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, uma organização sem fins lucrativos que busca combater e prevenir qualquer tipo de comunicação mercadológica dirigida ao público infantil.

         Sendo assim, é necessário que nós, pais e educadores, orientemos nossas crianças contra as manipulações comerciais e desenvolvamos ações conscientizadoras sobre a importância do consumo consciente, para garantir uma vivência plena na infância.

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Marcos Antonio de; ACEVEDO, Claudia Rosa. Práticas de Comunicação de Marketing para Crianças em Websites. Abep, 2013.

BRASIL. Conselho Nacional de Segurança alimentar e nutricional. Revista da USP aborda os males da publicidade para crianças.São Paulo, 2012. Disponível em< http: / /www4.planalto.gov.br/consea/comunicacao/noticias/2012/marco-2012/revista-da-usp-aborda-os-males-da-publicidade-para-criancas. >Acesso: 09 Janeiro, 2017.

CRIANÇA E CONSUMO. 2014.Conar , Código brasileiro de auto-regulação publicitária. Disponível em:< ht tp://criancaeconsumo.org.br/conar/conselho-de-auto-regulamentacao-publicitaria.  >Acesso em: 09 Janeiro, 2017.

IGLESIAS, F.; CALDAS, L. S.; LEMOS, S. M. S. Publicidade Infantil: Uma análise de táticas persuasivas na TV aberta. Psicologia & Sociedade, 25(1): 134-141, 2013.

INTERSCIENCE, Informação e Tecnologia Aplicada.2014.Consumismo infantil um problema de todos. disponível em:< http: // criancaeconsumo.org.br/wp -content/uploads/2014/02/Doc-09-Interscience.pdf.> Acesso em 09 Janeiro, 2017.

KARAGEORGIADIS, Ekaterine. É preciso regular a publicidade de alimentos para crianças. Carta Capital, 2013. Disponível em: <http: //www.cartacapital. com .br/blogs/intervozes/e-preciso- regular-a- publicidade-de-alimentos-para- criancas-4730.html.>  Acesso em: 21 nov 2016.

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