Doenças Psicossomáticas: o que a Análise do Comportamento tem a dizer

Ambrosia de Almeida Araújo                                                                                                               Programa de Educação Tutorial                                                                                                     Licenciatura em Pedagogia-UFBA

      De acordo com o Behaviorismo Radical, não existe a separação entre corpo e mente. Ao contrário do que afirma o campo de estudo psicossomática que defende a dicotomia entre ambos e estuda a influência de um sobre o outro.

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      O indivíduo tem uma visão limitada sobre si e deve ser avaliado, pois essa visão é considerada ambiente para muitos dos nossos comportamentos. Ambiente em Análise do Comportamento é definido como “qualquer evento no universo capaz de afetar o organismo, sendo ele privado (ex: pensamentos) ou público (ex: andar)” (GRANDI, 2014, p.01).

      Em Análise do Comportamento, o homem e ambiente sempre estão em interação, ou seja, o sujeito não é considerado passivo, ele também modifica o mundo e vice-versa. O homem pode, inclusive, controlar seu comportamento, o que é chamado de auto-controle.

      O Beheaviorismo Radical defende que todos os nossos comportamentos são frutos de eventos comportamentais ou ambientais, conhecido por contingências. As doenças psicossomáticas também estão ligadas a esses eventos, porém não é qualquer tipo de contingência que irá gerar essa doença.

     Em geral, as contingências aversivas são as responsáveis pelas alterações fisiológicas, contudo, o sujeito só as desenvolverá se estas contingências aversivas forem constantes, ocorrerem por um longo período e o indivíduo não ter como escapar ou agir com contra-controle.

      A punição é dividida em duas categorias pela Análise do Comportamento, podendo ser punição positiva: onde é inserido um estímulo aversivo ou punição negativa: onde é retirado um reforçador positivo. A punição traz três graves efeitos colaterais para o organismo.

      A extinção do comportamento punido, devido a aparição de respostas emocionais, que são sentidas no corpo. (ex: aumento de batimentos cardíacos, descarga de adrenalina, sudorese e etc.) é um dos efeitos graves. Neste momento outras respostas surgem no repertório do indivíduo, contudo, estas respostas param de ocorrer se a estimulação aversiva acabar.

   O segundo efeito é um dos mais importantes para entender as doenças psicossomáticas. Trata-se da relação em que o indivíduo faz entre a resposta punida e os estímulos presentes no ambiente na hora da punição. Neste caso, os estímulos presentes, tornam-se um aversivo condicionado.

      Com o surgimento de aversivos condicionados, o indivíduo sofrerá não só com a resposta punida. Logo, sempre que ocorrer qualquer situação que “lembre” o momento desagradável, esse terá respostas emocionais. A partir destas situações são que surgem as doenças psicossomáticas.

      Para a Análise do Comportamento, estresse e ansiedade, por exemplo, não são justificativas para doenças e nem podem definir um tratamento. Todos estes comportamentos são definidos pelas contingências. Portanto, o que deve ser alterado são as contingências aversivas que estão causando danos, não as emoções.

      O terceiro efeito grave da punição é compreendido quando diante de uma situação aversiva, o sujeito tenderá a emitir um reforço negativo, quando há a retirada de um estimulo aversivo. Chama-se atenção sobre a necessidade de observar nossas próprias vidas ao que se referem as nossas atividades desempenhadas no cotidiano, se essas são mantidas por reforçamento positivo ou reforçamento negativo.

      Existe uma grande possibilidade de um indivíduo que frequentemente busca sensação de alívio de desenvolver uma doença psicossomática. Esta conclusão é dita, por que o alívio demonstra que há sucesso em comportamentos de fuga e esquiva. Logo, existem contingências aversivas que podem causar alterações fisiológicas.

      Por fim, as contingências, de acordo com o Beheaviorismo Radical, precisam ser pensadas de modo que, comportamentos aversivos sejam progressivamente substituídos por contingências de reforçamento positivo, a fim de prevenir as doenças psicossomáticas.

 

Referência:

GRANDI, Paula. Doenças Psicossomáticas: o que a Análise do Comportamento tem a dizer. In: Conceitos, Social, Grupos & Cotidiano. São Paulo, 2014. Disponível em: <http://comportese.com/2014/10/doencas-psicossomaticas-o-que-a-analise-do-comportamento-tem-a-dizer/>.  Acesso em: 14 ago 15.

 

 

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