O jovem com Deficiência Intelectual e sua Sexualidade

Por: Ana Maria Nunez Amora

ana

                                                                                                                    (FÁTIMA, LUCIANA E VALÉRIA, 2014).

A conduta sexual, as relações interpessoais e a convivência com parceiros são freqüentemente relacionadas ao grau, do retardo. Comportamentos da sexualidade dos mais simples como abraços, beijos e palavras aos mais íntimos como masturbação solitária, masturbação em grupo e relação sexual, parecem sempre processos complexos quando manifestados por uma pessoa com deficiência mental. Ou seja, comportamentos tolerados em algumas pessoas tornam-se, seguindo um preconceito social, aberrações e/ou desvios na pessoa deficiente mental, o que reforça a repressão e a sua problemática (MAIA, 2001 apud MAIA; CAMOSSA, 2003, p. 02).  

         Percebemos que os jovens com Deficiência Intelectual chegam à puberdade com a maturação sexual como todo e qualquer jovem. Vemos ainda, na contemporaneidade, pessoas que acreditam no não-desenvolvimento sexual daqueles que possuem algum tipo de deficiência. A sexualidade e os estímulos provenientes desta são desenvolvidos da mesma forma para todos os jovens, sentindo-se estimulados na busca do outro que lhe complete.

            Profissionais da educação e da saúde devem buscar levar o conhecimento sobre sexualidade para a sociedade e as famílias de jovens com deficiência, buscando quebrar tabus do preconceito e da discriminação referentes este assunto. Tratando o mesmo com naturalidade procurando conversar com clareza fornecendo orientações básicas e contribuições adequadas. A fim de que os jovens com Deficiência Intelectual ou qualquer outro tipo de deficiência consigam dentro do possível manter um relacionamento saudável e seguro com o parceiro de sua escolha.

           Profissionais da educação juntamente com os da saúde e as famílias devem promover e participar de palestras, debates, orientações psicopedagógicas, dentre outros, nos vários espaços institucionais/educacionais onde estes jovens se encontram inseridos. Promovendo assim, uma melhor interação/compreensão com relação à sexualidade do jovem deficiente e como estes devem lidar com a sua sexualidade, os cuidados e a prevenção que necessitam ter para com sua saúde.

              Para Sodelli, o entendimento que estes jovens possuem em diferenciar o “[…] falar, estar de fato namorando e transar […]” (2013, p.67), é bem limitado:

[…] Muitos jovens com deficiência falam de namoro e amizade com o mesmo significado. Como não é conversado com este jovem sobre relacionamentos, as informações que ele tem acesso nem sempre são adequadas ao seu entendimento, portanto, ela pode dizer namoro ou amizade com o mesmo significado.

Outro ponto muito importante: quando uma pessoa com deficiência intelectual diz que quer, vai namorar ou está namorando, pensamos imediatamente na relação sexual. Os pais já imaginam aquilo que mais têm medo.

Existe um processo entre falar, estar de fato namorando e transar. Muitas pessoas com deficiência tendem a ter namoros com poucas manifestações de afeto (beijos, abraços, toques e relacionamento sexual), pois estão sempre vigiadas e não têm liberdade em seus relacionamentos.
Novamente é preciso conversar com a pessoa, saber o que exatamente ela está falando para poder orientá-la da melhor forma possível. O medo não deve impedir que os pais aproximem-se de seus
filhos ou peçam ajuda profissional quando necessário. Desta forma,
quando não estiverem na companhia de alguém da família, saberão
comportar-se adequadamente e de forma saudável (SODELLI, 2013, p.67).

          Vemos que com relação à família, esta tende a bloquear de alguma forma o jovem com deficiência quanto a sua sexualidade, estigmatizando que são incapazes, não possuindo a segurança necessária para um relacionamento mais intimo, indefesos a tudo que se relacione com a sua vida sexual, tornando-se na concepção destas famílias e da sociedade de um modo geral, como “assexuados e desinteressantes”.

       Com a puberdade, o jovem começa a se descobrir em sua sexualidade e seus desejos, iniciando sua fase de maior independência. Para as famílias dos jovens deficientes, o controle que antes era quase que total passa a ficar em desequilíbrio, gerando incertezas e medo de que este jovem sofra uma rejeição por parte do parceiro desejado ou mesmo um abuso sexual por conta de sua “fragilidade”. Levando muitos dos pais tentarem pôr estes jovens em uma “redoma” de constante proteção, como toda e qualquer criança indefesa.

      Diante do exposto percebe-se que devido à falta de informações adequadas para as famílias quanto à sexualidade do jovem com deficiência, o conhecimento necessário para sua autonomia, cuidados com a saúde e relacionamento afetivo acaba sendo restrito. Gerando assim, preconceitos e restringindo seus direitos a uma vida sexual/afetiva saudável e completa.

 

REFERÊNCIAS:

KIRNATZKI , Luciana. Sexualidade e Deficiência: uma síntese. LISBOA, 2014. Instituto de Educação, Universidade de Lisboa. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/lukornatzki/sntese-sexualidade-e-deficincia?related=2>. Acesso em: 04 abr 2015.

MAIA, Ana Cláudia Bortolozzi; CAMOSSA, Denise do Amaral.  Relatos de jovens deficientes mentais sobre a sexualidade através de diferentes estratégias. Ribeirão Preto, 2 002.  Disponível em: < ttp://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-63X2002000300009&lng=en&nrm=iso>.  Acesso em:  21  mar.  2015.

SODELLI, Fernanda. Cartilha de Orientação sobre Sexualidade e Deficiência Intelectual. Instituto Mara Gabrilli. São Paulo, 2013.  Disponível em: <http://www.img.org.br/images/stories/pdf/cartilha_sexualidade.pdff>. Acesso em: 22 mar 2015.

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