Diversidade e Etnia no Campo da Educação de Jovens e Adultos

Por: Dandara Rodrigues

Muitas são as fontes de dados que sublinham o baixo nível de acesso da população negra à educação. Além disso, também a exclusão dos elementos básicos que proporcionem uma vida digna e humana, como por exemplo: o trabalho e às desejáveis condições de saúde e moradia. Essas condições são resultados de um processo de contínua negação, ao qual o povo brasileiro foi historicamente submetido.

Dados de pesquisa, apontam que os alunos da EJA sofrem discriminação racial, econômica e social, tanto no trabalho como dentro da escola, bem como em outros grupos sociais. Daí a importância de uma abordagem com metodologia e didática, bem específicas, ouvindo e dialogando com as experiências dos sujeitos envolvidos no processo da Educação de Jovens e Adultos. Dessa forma, também se faz necessário um currículo multicultural, com base no perfil dos sujeitos envolvidos.

A Educação de Jovens e Adultos já percorreu uma longa caminhada pela busca dos direitos dos sujeitos, que fazem parte dessa modalidade de ensino, e que infelizmente, não são reconhecidos pelo sistema da sociedade como um importante integrante do processo produtivo responsável pela construção do Brasil.

Um passo importante para promoção de mudanças significativas no trabalhado pedagógico com turmas de Educação de Jovens e Adultos, mas somente com elas, foi à sanção da Lei 10.639/2003, que estabelece o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira, objetivando o reposicionamento do negro e as relações raciais no mundo da educação no aspecto da formação humana.

A lei não trata somente sobre conteúdos escolares, mas também sobre as relações sociais, existentes nos diversos momentos de interação, e de formação que abrangem o universo da educação. A lei representa um grande desafio para os educadores; por isso o currículo da Educação de Jovens e Adultos precisa ser repensado, para que essas questões étnico-raciais sejam vistas sobre a perspectiva da lei, cuja, finalidade é tornar esses sujeitos excluídos, protagonistas dos seus conhecimentos, das suas experiências e de sua cultura.

As Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-raciais correspondem a uma proposta curricular oficial, que está de acordo com a Lei 10.639/2003. Portanto, a efetivação de uma proposta curricular centrada no educando, deve compreender que “os cidadãos têm história, participam de lutas sociais, têm nome e rostos, gêneros, raças, etnias e gerações diferenciadas”.

Alguns estudos têm mostrado que a cor da pele desempenha, no Brasil, um importante fator de diferenciação e ou estratificação social (SABOIA, 1998). Em nosso caso interessa compreender a relação entre raça/cor e juventudes. Vejamos os dados referentes aos índices de escolarização dos jovens e adultos por raça/cor levantados por uma pesquisa etnográfica de um artigo acadêmico.

Índice de escolarização por raça/cor na escola pesquisada: Raça/cor

Você já parou de estudar alguma vez?

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Fonte: Informações retiradas de questionário aplicado no turno diurno da escola.
 

 É possível perceber que os/as jovens e adultos alunos declarados negros (pretos e pardos) apresentam uma trajetória escolar mais acidentada, do que os dos jovens e adultos que se auto declararam brancos. O grande fator causador dessa evasão escolar é a posição subalterna que esses jovens e adultos negros estão submetidos, logo, afeta diretamente a sua trajetória escolar.

REFERÊNCIAS:

REIS, Maria Helena e VALENTIM, Silvani dos Santos. EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ETNICORRACIAIS NO PROEJA E NA EJA: DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA EDUCAÇÃO PÚBLICA. Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) SENEPT- GT- 09.

Silva, NATALINO NEVES. Juventude, EJA e Relações Raciais: um estudo sobre os significados e sentidos atribuídos pelos jovens negros aos processos de escolarização da EJA. Belo Horizonte Faculdade de Educação da UFMG 2009.

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