EDUCAÇÃO INFANTIL E CURRÍCULO

Por Rejane Nascimento

Tendo a educação infantil a incumbência de constituir-se um lugar de educação e cuidado dos pequenos, torna-se imprescindível a construção de um currículo que contenham ações que buscam “assegurar” o desenvolvimento da criança em seus diversos aspectos (cognitivo, psicológico, afetivo, físico, intelectual) e que levem em consideração as especificidades e singularidades das crianças para o qual o mesmo foi elaborado.

Neste sentido, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil em seu artigo 3º nos trazem que:

O currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos. (DCNEI, 2009, p. 18)

Para a construção de um currículo “assertivo” que subsidie o trabalho pedagógico nas instituições de educação infantil se faz necessário pensar concepções de criança, infância, cultura, do brincar e do cuidado. Conhecer quem é essa criança que será inserida neste cotidiano, a que família e a cultura ela pertence, como aprende e se desenvolve são aspectos relevantes a serem considerados para elaboração de um planejamento e práticas educativas que realmente estejam preocupados com o desenvolvimento das crianças e respeitem suas particularidades. (KISHIMOTO, 2010, p.2).

O planejamento curricular neste contexto educacional deve “ouvir” e considerar as diversas “vozes” envolvidas no processo formativo das crianças. Um diálogo entre a família, profissionais, professores e as próprias crianças.

Nesta perspectiva, Barbosa (2009, p. 79) nos expõe que um currículo que se compõe no diálogo entre as crianças, famílias e docentes apresenta como característica diferenciada não se configurar somente nos documentos, discursos elaborados ou declarados verbalmente. Mas se manifestará de modo prioritário, em todas as interações que acontecem no cotidiano. Ou seja, o currículo neste sentido, se define como ações que acontecem nos estabelecimentos de educação e não apenas o ato de refletir, listar e projetar intenções e conteúdos de aprendizagens.

As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI), em seu artigo 9º explicita que as práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular da Educação Infantil devem possuir como eixos norteadores as brincadeiras e a interação.

O ato de brincar deve ser reconhecido como uma forma do sujeito produzir cultura, além de ser uma ação que proporciona a construção da autonomia, criatividade, como também da descoberta do mundo que está em sua volta. De acordo com Fontana o “Brincar é, sem dúvida, uma forma de aprender. Mas é muito mais do que isso. Brincar é experimentar-se, relacionar-se, imaginar-se, expressar-se, compreender-se, confrontar-se, negociar-se, transformar-se, ser”. (FONTANA, 1997, p.139).

Outra questão que não pode ser desconsiderada nas praticas educativas diárias na educação infantil é a chamada intencionalidade pedagógica. Uma ação no qual se faz necessária uma reflexão continua do educador em relação as suas tomadas de decisão no fazer docente.

De acordo com Barbosa (2009, p. 88), uma das características que constitui a intencionalidade pedagógica como um elemento relevante na organização do trabalho educacional cotidiano é o poder compreender e evidenciar os motivos pelos quais as atividades, materiais e brincadeiras são selecionados, seus modos de apresentação e realização, como também das formas de elaboração dos recursos e dos grupos para o trabalho. Deixar claro a intencionalidade educativa possibilita ao docente, no dia – a – dia, por meio do planejamento e registro de atividades dá oportunidades aos pequenos de aprender e se desenvolver nas suas múltiplas possibilidades.

Com o entendimento que a Educação Infantil se constitui como a primeira etapa da educação básica e que visa o desenvolvimento integral da criança de 0 a 5 anos de idade, as práticas pedagógicas adotadas pelos profissionais que trabalham com tal clientela devem estar articuladas com um currículo que considera a criança como o centro e que leva em consideração suas especificidades.  Um trabalho construído de forma coletiva por toda comunidade escolar, no qual estarão postas as concepções que a mesma considera importantes para a formação do sujeito inserido em uma dada sociedade.

Continuar leitra em: http://petpedagogia.blogspot.com.br/2014/05/educacao-infantil-e-curriculo.html

REFERÊNCIAS:

BARBOSA, Maria Carmem Silveira. Práticas cotidianas na educação infantil: bases para a reflexão sobre as orientações curriculares. Relatório de pesquisa MEC-UFRGS. Brasília, 2009.

BRASIL, Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, 2009.

FONTANA, Roseli. Psicologia e trabalho pedagógico. São Paulo: Atual, 1997.

KISHIMOTO, Tizuco Morchida. Brinquedos e Brincadeiras na Educação Infantil. Anais do I Seminário Nacional: Currículo em Movimento- Perspectivas Atuais. Belo Horizonte: Ministério da Educação, 2010.

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