O Brincar

Vamos brincar?

É enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. […]. O brinquedo é um fator muito importante nas transformações internas do desenvolvimento da criança (VYGOTSKY, 1991).

O brincar é uma das atividades básicas para o desenvolvimento social e cognitivo da criança. Brincando, a criança tem oportunidade de experimentar suas funções psicossociais, conhecer novos desafios, investigar e sentir o mundo de maneira natural.

A criança, quando brinca, é motivada a usar a inteligência e esforça-se para superar obstáculos cognitivos, emocionais e físicos. Utilizado com uma função lúdica, a brincadeira propicia á criança aprender de acordo com a sua capacidade, estimula a criatividade e a experiência sensorial.

Toda criança precisa brincar, pois é através da brincadeira que ela atribui sentido ao seu mundo, se apropria da cultura e de conhecimentos que a ajudarão a atuar sobre o seu meio.

Brincando as crianças aprendem a cooperar com os companheiros, a obedecer as regras do jogo, a respeitar os direitos dos outros, a acatar a autoridade, a assumir responsabilidades a acatar penalidades que lhe são impostas, a dar oportunidade aos demais, enfim viver em sociedade. (KISHIMOTO, 1999, p. 110)

As brincadeiras estimulam o imaginário infantil, a exploração e a descoberta de relações. É brincando que a criança ordena o mundo a sua volta. Assim, a escola deve viabilizar e incentivar o trabalho pedagógico pautado em atividades lúdicas, pois a brincadeira e os jogos são atividades indispensáveis para o crescimento integral da criança. É importante que as brincadeiras enfatizem a socialização e o processo de desenvolvimento, considerando o conhecimento prévio do aluno.

O ambiente escolar deve ser um local prazeroso, onde a criança tenha o direito de explorar e vivenciar atividades espontâneas e criativas. No entanto alguns professores decidem fazer do brincar na escola uma atividade voltada somente para uma função pedagógica, para que os alunos alcancem aprendizagens predeterminadas.

É rara a escola que investe neste aprendizado. A escola simplesmente esqueceu a brincadeira. Na sala de aula ou ela é utilizada com um papel didático, ou é considerada uma perda de tempo. Até no recreio a criança precisa conviver com um monte de proibições […]. (MALUF, 2003, p.28)

Muitos professores não valorizam as brincadeiras por considerarem que o mais importante é o ensino da lectoescrita e quando praticam atividades lúdicas são direcionadas com regras e proibições, não ressaltando o verdadeiro sentido da brincadeira. É preciso compreender que a brincadeira não deve ser realizada por obrigação, mas em uma perspectiva que proporcione além do prazer, valores que facilitem o desenvolvimento do aluno.

O fato é que, o professor muitas vezes, não deve atribuir-lhe essa parcela de culpa. Ao contrário é necessário avaliar a qualidade da formação profissional que se submeteu, pois às vezes, a formação não contemplou a importância da utilização da brincadeira como um recurso pedagógico.

A brincadeira permite construir um novo jeito de educar e de trabalhar de forma lúdica. É fundamental que a educação seja capaz de atuar na esfera pessoal, fazendo com que os sujeitos percebam-se, para assim, conviverem no mundo com consciência de suas atitudes. Para tornar possível essa realidade é preciso a conscientização de todas as pessoas envolvidas com o desenvolvimento das crianças, afim de que, o brincar possa ter o significado progressivo na vida do aluno.

Referências:

BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998.

KISHIMOTO, Morchida. Brinquedo e brincadeira. Usos e significações dentro de contextos culturais.In______ SANTOS, Santa Marli Pires dos (org.) 4 ed. Brinquedoteca: o lúdico em diferentes contextos. Petrópolis: vozes, 1997. p.110.

MALUF, Ângela, Cristina Munhoz. Brincar: prazer e aprendizado. Petrópolis: Vozes, 2003.p.28

VYGOTSKY, Lev. Semenovick. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. Orgs: Michael Cole. et al. 4. ed. São Paulo : Martins Fontes, 1991

Créditos da imagem: http://revistaescola.abril.com.br/img/ed-infantil/218-jogos3.jpg

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