LIBRAS

Resenha: Libras? Que língua é essa? Crenças e preconceitos em torno da língua de sinais e da realidade surda, de Audrei Gesser

Audrei Gesser, autora do livro Libras? Que língua é essa? Crenças e preconceitos em torno da língua de sinais e da realidade surda, da editora Parábola, tem vasta experiência no campo de Letras, com mestrado e doutorado voltados para a área de Língua de Sinais.

O livro possui oitenta e oito páginas, com divisão em três capítulos, são eles: A língua de sinaisO surdo A surdez, além de prefácio, introdução, considerações finais e referências bibliográficas.

Com linguagem de fácil compreensão e interessante abordagem da temática, a autora insere o leitor nos mais corriqueiros dúvidas e mitos acerca da Língua de Sinais e também do cotidiano do surdo.

Submersos na ignorância, no sentido denotativo da palavra, no costume de julgar aquele indivíduo “diferente” a partir de conceitos e preconceitos pré-estabelecidos que circundam o nosso cotidiano, somos apresentados às respostas. E que respostas seriam essas? Como dito anteriormente, Gesser expõe os mitos, crenças e as dúvidas, mas de uma forma diferente e bastante didática: como forma de pergunta, a autora responde-nos, tirando-nos do lugar comum em que muitos de nós, leitores, encontrávamos-nos.

Não é possível afirmar, obviamente, que todos que têm acesso ao livro de Audrei Gesser não tinham quaisquer conhecimentos sobre a Língua de Sinais ou o surdo, afinal, são diversos os públicos que podem ter interesse pelo livro, como diz a própria autora, no sumário: “surdos, ouvintes, leigos, profissionais da surdez, estudantes, professores ou simplesmente curiosos”.

Por isso, quando digo ignorância, me refiro aqueles, como eu mesma, que tinham ideias errôneas com relação ao surdo e a Língua de Sinais. Dentre as dúvidas que são respondidas no livro, muitas das minhas próprias também foram eliminadas, como, por exemplo, acerca de a língua de sinais ser universal. A primeira pergunta do livro é esta, para ser mais exata. Já começo a leitura do livro recebendo um, digamos, “banho de água gelada”, e muito merecido. É preciso deixar de “achismos” e correr atrás das respostas — ainda mais que alguém em minha família é surdo, apesar de não ser usuário da língua de sinais.

Após esse primeiro “banho de água gelada”, o interesse por concluir imediatamente a leitura do livro foi numa crescente constante, inclusive meu interesse pessoal pelo aprendizado da Língua de Sinais e do universo da surdez, tão próximos de mim e, ao mesmo tempo, tão distantes.

No primeiro capítulo, A língua de sinais, Audrei percorre por questionamentos sobre a gramática e a origem da Língua de Sinais, além de explanar sobre a constante comparação entre a língua de sinais brasileira (LIBRAS) a língua portuguesa falada, também sobre a forma escrita de sinais, a Sign Writting, entre outros aspectos de suma importância.

A ideia de que LIBRAS, ou outra língua de sinais de outros países (como, por exemplo, ASL, American Sign Language; LSF, Langue des signes française; BSL, British Sign Language; AUSLAN, Australian sign language etc.) é uma língua própria, viva, com suas especificidades e singularidades, assim como a língua falada no Brasil, transcorre por todo o primeiro capítulo do livro.

O segundo capítulo tem enfoque no principal usuário da língua de sinais: o surdo. A autora dá início esclarecendo uma das principais crenças que permeia a sociedade: chamar o surdo de surdo-mudo ou de deficiente auditivo. E são três termos que possuem significados diferentes. Inevitável não trazer o exemplo que está em minha própria família, o meu tio. Desde muito pequeno perdeu a audição, algo um tanto “mistificado” por parentes, pois ninguém realmente sabe os motivos. Os vizinhos insistem em chamá-lo de “mudo”, e este tornou o seu apelido para aqueles que não o conhecem de verdade. E isso remete à ideia de muitos: do surdo como aquele que é, invariavelmente, mudo, ou seja, um indivíduo que não fala porque tem problemas no aparelho fonador, uma inverdade que permanece no imaginário do senso comum. Além disso, é explicitado sobre um outro usuário da língua de sinais, que é o intérprete, de forma bastante sucinta.

O terceiro e último tópico de Libras? que língua é essa? trata da Surdez, buscando responder questionamentos sobre a visão de que surdez é uma deficiência, sobre a visão negativa que possui na comunidade ouvinte. Explana, também, sobre os graus, os tipos e a hereditariedade e, também, sobre os implante coclear e aparelhos auditivos.

Por fim, nas considerações finais, faz uma breve retomada do que foi escrito em seu livro e encerra citando dezessete direitos linguísticos propostos por Gomes de Matos em 1984, presentes na Revista de Cultura Vozes.

Em linhas gerais, o livro de Audrei Gesser é grande valia para todos aqueles públicos que a autora citou no sumário, e particularmente acredito que deveria ser um livro a ser mais explorado no campo da Pedagogia, área em que estou prestes a completar graduação, pois ajudaria muito mais ao futuro professor a compreender e inserir-se nesse universo tão rico que é o daquele que não ouve como ouvimos e que merece, tanto quanto qualquer um, o direito a se comunicar com a sua própria língua.

REFERÊNCIAS:

GESSER, A. Libras? Que língua é essa? São Paulo: Parábola Editorial, 2009. 87 p.

LEITURA COMPLEMENTAR

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=C165462
http://www.parabolaeditorial.com.br/releaselibras.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Sign_language

Crédito da Imagemhttp://audreigesser.paginas.ufsc.br/

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