Cinema na Escola: uma introdução

Cinema na Escola: uma introdução

Carpe diem. Aproveitem o dia, garotos. Façam suas vidas serem extraordinárias.

(do filme Sociedade dos Poetas Mortos)

Minha mãe sempre dizia: a vida é como uma caixa de bombons. Nunca se sabe o que vai encontrar.

(do filme Forrest Gump – o contador de histórias)

Em pleno século XXI, as artes nas escolas ainda são, muitas vezes, relegadas a disciplinas de menor ou quase nenhuma importância. E o que é pior, são comumente utilizadas como “tapa-buracos” para aulas vagas ou professores que não sabem o que fazer em certos momentos ou simplesmente, desejam fazer outra coisa ao invés de “ensinar”. Ocorre que estes professores acabam ensinando, transmitindo a ideia de que arte, seja ela qual for, é brincadeira, enganação ou está muito, muito acima de nós, reles mortais.

Mesmo atingindo o status de sétima arte, precedida em nossa história pela música, dança, pintura, escultura, teatro e literatura, o cinema na educação, nem sempre é considerado enquanto tal, reduzido a mero entretenimento e olhe lá, quando não são poucos os alunos que reclamam da tortura de serem obrigados a assistir filmes apenas para responder um roteiro que nada lhes dizem, passar o tempo trancafiados entre quatro paredes nada estimulantes aos sentidos ou para passar no vestibular.

Era confusa em que vivemos. Se por um lado, estamos revolucionando a comunicação em kbytes por segundo, a educação em nosso país ainda engatinha na utilização de novas – e velhas – tecnologias quando se trata de atingir conscientemente seus objetivos. E, embora o cinema não seja uma técnica, não prescinde de diferentes recursos tecnológicos. É a “arte” de conceber, reunir e dispor de tais recursos que constitui qualquer obra artística, pois toda arte pressupõe uma técnica, sem nesta reduzir-se, esvaziar-se. A nossa educação ou nossos educadores têm muito a ganhar se reconhecerem essa aproximação do seu caminho com o caminho trilhado pela arte.

É bem verdade que o currículo disciplinar, modelo imperante nas instituições públicas e privadas brasileiras, dificulta o acesso a esse modo de refletir e atuar sobre e com as artes. No entanto, não deve servir de desculpa para a acomodação quando temos, como nunca antes, acesso a informação e formação de diferentes ordens e modelos. A multiplicidade de referências difundida nos veículos midiáticos já são uma conquista passo a ação refletida e por si só já revela o poder de atuação do cinema.

Importante quando se procura levar o cinema à escola é pensar que antes de tudo, cinema é arte. E como tal, precisa que seja concedido o direito à sua fruição, o que significa também uma ação política em defesa da igualdade social.

Se a promoção de um direito social é irrefutável na sociedade contemporânea, os sujeitos não podem ser alijados de sua responsabilidade no exercício dos seus direitos. Isso significa que não há mais lugar para utilizações ingênuas do cinema nos espaços, sobretudo formais de educação. Todas as suas potencialidades e funções devem tornar-se claras e objetivas para o professor. As funções estética, catártica, pedagógica e política são indissociáveis e ajudam a delinear diferentes formas de utilizar o cinema enquanto instrumento, recurso didático, ponto de partida e de chegada, meio e fim de uma aprendizagem significativa.

Através do cinema podemos conhecer e construir diferentes formas de pensar a realidade, redimensionando socialmente a própria existência. Através do cinema podemos contar, recontar e inventar a história. Podemos aprender sobre o mundo apreendendo-o em seus múltiplos olhares.

Enquanto linguagem o cinema é artefato cultural, ferramenta ideológica que a escola precisa aprender a utilizar, sem imposições e sem deixar de transmitir o encanto, a beleza e a plasticidade que qualquer obra de arte é capaz de proporcionar. Aliar o lúdico ao aprendizado é unir o útil ao agradável, é explorar e aprimorar o intelecto e os sentidos, é tornar real a dimensão estética da educação fazendo dela mais prazerosa e significativa para o sujeito que aprende seja ele aluno, professor, criança, adulto, abastado economicamente ou não.

Outro fator importante a ser considerado é que a escola não se resume à sala de aula, à sala de vídeo, ao teatro ou cinema da escola. Ela ultrapassa os próprios muros adentrando a comunidade, os lares e os espaços de lazer, “entretenimento”, cultura e de ação política da sociedade a qual pertence. Mudar o significado de um nome, um objeto, um espaço, seus limites reais e imaginários é deslocar a fala, mudar o discurso, fazer uma revolução. E então, vamos ao cinema?

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