Cidade e mundo

“Minha cidade, meu mundo.”

Segundo Castellar & Vilhena (2010), atualmente a cidade não deve ser mais entendida como um simples assunto integrante do estudo Geografia Física, mas sim como um objeto que está ligado diretamente à vida de cada indivíduo. Consequentemente, essa nova visão implica em mudanças tanto na elaboração do currículo escolar quanto na própria prática docente.

Atualmente, estagiando como professora auxiliar em uma turma do 1° do ensino fundamental I, eu observo que a professora regente direciona a maior parte das aulas ao ensino da Língua Portuguesa devido às dificuldades encontradas pelos alunos no processo de alfabetização.

Mas, será que não é possível usar a interdisciplinaridade para alfabetizar? Não, pois alfabetizar não é só uma tarefa da disciplina Língua Portuguesa, e sim um trabalho conjunto com as outras disciplinas. Afinal, o professor pode perfeitamente alfabetizar uma criança com um texto que aborde assuntos referentes à Geografia. Também é perceptível que a professora não prioriza o estudo da cidade nas escassas aulas de geografia. A cidade é estudada apenas a partir de simples observações dos pontos turísticos, datas comemorativas e/ou descrições das paisagens.

É importante ressaltar que a contribuição da Geografia para a formação do aluno está na compreensão que ele terá da realidade. Partindo dessa perspectiva, torna-se necessário um ensino não meramente superficial, mas, sim, um ensino em que o estudante sinta-se parte integrante da sociedade, desenvolvendo assim a ideia de pertencimento. Estudar a cidade faz com que o aluno reflita e compreenda a cidade da qual faz parte. Portanto, é preciso que o aluno observe cada área da cidade: centros históricos e comerciais, áreas residenciais, áreas de ocupação irregular, aspectos econômicos e culturais, bem como os impactos causados pelos fenômenos naturais e outros aspectos que caracterizam cada cidade.

A partir do estudo assim conduzido, o aluno entende o significado do lugar de vivência, do pertencimento, reflete sobre padrões de segregação na gestão dos problemas urbanos – sejam eles de qualquer natureza –, associa fenômenos ambientais à gestão de recursos naturais (água, esgoto, saneamento, emissão de poluentes etc.), de preferência comparando o que acontece em diversas realidades de outras cidades, estados ou países com sua experiência pessoal. (CASTELLAR; VILHENA, 2010, p. 122-123).

Na elaboração das aulas é fundamental trabalhar primeiramente o lugar, de modo que os alunos tenham subsídios que os permitam compreender, através do que está presente no cotidiano, algo muito mais complexo e amplo que é o mundo. Outro aspecto essencial é o reconhecimento das experiências prévias da criança, uma vez que os conhecimentos trazidos pelos próprios alunos serão ponto de partida para o entendimento do mundo em sua totalidade.

O professor deve organizar seu trabalho a partir da paisagem encontrada na cidade. Assim, os alunos não irão estudar apenas o que está diante dos olhos, mas também todo valor simbólico que constitui a paisagem. Para que isso ocorra, é necessária a intervenção constante do professor, pois caberá a ele mostrar para as crianças como aquela paisagem da cidade foi modificada, quem a modificou, e apresentar também sua importância para o contexto (social, histórico, ambiental, etc.) no qual a cidade está inserida.

Toda nova proposta traz ao professor uma possibilidade de desenvolver atividades em que os alunos sintam-se participantes e construtores do conhecimento. Porém, é preciso que os professores estejam dispostos a deixar aquele ensino sistemático e descontextualizado de lado e aderir a novas ideias, buscando sempre formas inovadoras de ensinar Geografia em sala de aula, principalmente nas escolas públicas, onde o ensino ainda é precário. Assim, faz-se necessário um ensino da Geografia no qual o aluno sinta-se pertencente e sujeito da própria cidade, compreendendo o lugar em que vive.

 

Referência

CASTELLAR, Sônia; VILHENA, Jerusa. Trabalhando com um projeto educativo sobre a cidade. In:______. Ensino de Geografia. Cengage Learning: São Paulo, 2010. p. 119-136.

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