Filme…

QUAL O SEU DISCURSO?

O Discurso do Rei (2010), sob direção de Tom Hooper, reúne um aclamado elenco e presenteia o público com o cinema clássico que, longe de grandes recursos tecnológicos, clichês e excessos de dramaturgia, mostra como uma boa história aliada a um competente roteiro, uma bela fotografia e figurino e música envolvente compõem um grande filme. A forma a serviço do discurso, sutil e elegantemente, conduz a história aproximando-a mais, a cada cena, do espectador.

A revelação de uma família vivendo entre os ditames morais da realeza e seus dramas pessoais e de um futuro rei em busca da expressão e do reconhecimento da própria voz traduz a identificação do nobre com o homem comum.

“Lionel”, sem formação, diploma, qualificações e credenciais, que aprendeu com a experiência, tratando soldados que lutaram na Primeira Guerra Mundial, apenas com uma grande dose de audácia e um tratamento nada convencional, conquista “Bertie”, que termina assumindo o caminho que o tornará líder de seu povo em um importante período histórico. As frustrações e determinação de ambos acabam por construir um vínculo inquebrantável que ultrapassou os limites de um tratamento mecânico e com fins meramente utilitários.

Aconteceu comigo na sala de cinema. Uma reflexão acerca dos padrões civilizacionais que nos guiaram até aqui e que podemos relacionar à inadequação social e aos inúmeros problemas com a auto-aceitação, questões inspiradas pelo filme e que perpassam nossa educação ainda hoje, me levaram a questionar o quanto de nós se apóia nesse lastro para justificar discursos e ações. E quantos de nós temos nesse passado inspiração para a manutenção de tudo o que oprime ou para um aprendizado que conduz à superação.

Não pude deixar de lembrar-me do médico austríaco Viktor Frankl que foi prisioneiro de um campo de concentração e sobreviveu ao holocausto. A idéia da auto-aceitação é fundamental no método terapêutico que ele utilizava. Ademais, o pensamento de Viktor Frankl ressalta a relevância da busca de sentido em nossa existência. Penso que a busca pelo sentido é também importante em nossos discursos. Uma boa história pode nos levar a pensar em seus porquês e no sentido que deixamos dar a eles. Se apenas os recebemos calados ou se decidimos nos tornar partícipes.

Nas palavras de Lionel, que cuidava de problemas da fala, esses pobres jovens tinham gritado de medo e ninguém havia os escutado. Meu trabalho era fazê-los ter fé na própria voz e deixá-los saber que um amigo estava ouvindo. Uma história de coragem, perseverança, superação e amizade que nos transmite a possibilidade de tornar discurso e prática verdadeiros aliados.

E em nossas palavras que cuidamos de problemas da aprendizagem: essas pobres crianças calam de medo e ninguém assim as escutam. Nosso trabalho é fazê-las ter fé na própria inteligência e deixá-las saber que um professor está ali para lhes ajudar. Uma história de coragem, perseverança, superação e profissionalismo que nos transmite a possibilidade de tornar professores e alunos verdadeiros aliados.

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