Sonhos impedem de sonhar?

Carregar os sonhos nos impede de sonhar

Aconteceu comigo na sala de cinema. Pela primeira vez na vida senti vergonha de querer ser professora: a professora que vi refletida naquela gigante tela que é também expressão do imaginário social. Recentemente, fui curiosa assistir ao filme Carregadoras de Sonhos no Circuito Sala de Arte, mas sem muita expectativa de gostar, pois o título já me incomodava – pra não dizer, indignava.

Felizmente, meus olhos atravessaram o mau gosto do título, as imagens reducionistas, as falas contraditórias, a montagem deselegante, os cortes bruscos… e tocaram a boa ideia, a urgente temática e o nobre propósito; afinal, o documentário é a realização de um projeto de um sindicato de trabalhadores da Educação Básica. Infelizmente, vi a causa perder-se na consciência e cristalizar-se equivocadamente na inconsciência tão bombardeada pelo ideário da dor banal.

Engana-se quem pensa poder sonhar com dor. Sonhar a partir da dor é diferente, inteligente, consciente. É não se deixar levar pelo fatalismo, pelo cinismo, pela solidão. É tornar-se, pois a dor constrói, o sofrimento, não.

Um pouco de reflexão sobre inconsciente, inconsciente coletivo, ato falho, mensagem subliminar… não pode deixar de considerar o poder da palavra — e da imagem — e se enganar ou se deixar levar por um sentimentalismo vazio.

O termo carregar em nosso imaginário possui uma conotação, muitas vezes, pejorativa. “Carregar o mundo nas costas”, por exemplo, transmite a sensação de uma experiência pesarosa, desumana e absurda, porque irreal, impossível de se concretizar. Há quem diga que o novo mal do século, muito acometido entre professores, é a Síndrome de Burnout. Uma imagem representativa da doença que vi na capa de uma revista é exatamente esta. Então, estudamos tanto para isto? Se eu responder sim, não aprendi nada. Se nem a própria pessoa é capaz descarregar seus sonhos, como se achar capaz de carregar os sonhos de outros?

Sonhos não se carregam, eles se formam, se constroem e até se destroem. Existem para ser divididos, compartilhados, sonhados junto, realizados. Mas sonhar junto não significa sofrer. Sonhar é semear alegria, esperança, satisfação. E colher uma realidade melhor, mais feliz.

Quanto ao filme, valeu a pena assistir. Agora, no mínimo, posso denunciar a “inconsciência” que em mim — e em cada um de nós — prevalece e me impede de sonhar, instaurando um grande abismo entre você e eu: a não materialização dos nossos sonhos. Mas não se esqueça: “sonho que se sonha junto não é sonho, é realidade”.

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