PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORAL

                                                                PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL                                                        Curso de Licenciatura em Pedagogia

A história do Programa de Educação Tutorial do curso de Licenciatura em Pedagogia (PET PED) se inicia com aprovação nacional de sua proposta de funcionamento a partir do Edital MEC/SESu de nº 5 do ano de 2009. Sua primeira geração de bolsistas iniciou trabalhos integrados de ensino, pesquisa e extensão no mês de janeiro do ano de 2010. Desde então, em se mantendo fiel à sua proposta de compromisso com a formação inicial de professores da Educação Infantil e dos primeiros anos do Ensino Fundamental, nossas atividades, em primeiro lugar, têm sido voltados para produção crítica de um fazer do trabalho docente em consonância com o ideário da promoção de uma educação pública de qualidade e socialmente referenciada. Destaque, ao longo de todos esses anos, para a presença continuada de bolsistas em espaços públicos de aprendizagem formal, especialmente em centros municipais de educação infantil (CMEIs) e em escola municipais dos primeiros anos do Ensino Fundamental. Presença essa justificada pela necessidade de se expandir, para além de estágios curriculares, a oferta de oportunidades formativas que fomentam a produção de novos saberes pedagógicos e pela urgência de se firmar pontes entre o ensino superior e a educação básica.  Mais recentemente, nosso escopo formativo se expandiu para além dos muros da escola incorporando instituições educacionais voltadas para atendimento de alunos com necessidades educacionais especiais, mais especificamente aqueles com deficiência intelectual e deficiência auditiva, e também para organizações não-governamentais inseridas no espaço da educação popular na cidade de Salvador. Some-se a essa expansão, o nosso trabalho continuado de visitas a espaços de convergência de práticas de saúde e de assistência social com práticas educativas com intuito de instituir novos lugares de atuação do pedagogo. Todo este trabalho formativo, sublinhe-se, se realiza no campo de convergência do tripé: ensino, pesquisa e extensão. Também neste tripé, situamos o nosso compromisso com a produção continuada de textos  acadêmicos publicados em redes sociais, com destaque para o nosso blog: https://petpedufba.wordpress.com/author/petpedagogiaufba/. Sublinhe-se também a nossa vocação para celebração de parcerias com outros grupos do Programa de Educação Tutorial, principalmente da nossa universidade – desde sempre uma preocupação nossa por ocasião de elaboração do nosso projeto anual de atividades. A elaboração do projeto anual de atividade, em conjunção com a elaboração do relatório anual das atividades, é momento relevante para fins do exercício de práticas de projeção e de avaliação institucional. Observe-se  que tais práticas projetivas e avaliativas se inserem na formação do pedagogo em vertente ainda não muito conhecida pelo leigo: a vertente do pedagogo organizacional, que para além do restrito escopo das funções de gestão escolar (direção e coordenação pedagógica), desponta como lugar cada vez visível em organogramas diversos. Em uma sociedade atualmente caracterizada como sociedade da informação, na qual o aprender a aprender se constitui em fator de sobrevivência no mundo do trabalho, é, se não imprescindível, organicamente necessária a presença de pedagogos no mundo das organizações. Sem nos descuidarmos do eixo da formação docente como acima já referido, o nosso grupo do Programa de Educação Tutorial opera, então, com cartografias de novos espaços onde o pedagogo do futuro próximo se fará cada vez mais presente como mediador do processo ensino-aprendizagem.  E, enfim, para além do compromisso formativo com o ALUNO, enquanto pedagogo do devir, o nosso Programa de Educação Tutorial se destaca como compromisso de projeto formativo de cidadãos comprometidos com suas próprias vidas das quais a dimensão profissional é apenas uma dela. O respeito à diversidade de cada um dos integrantes do grupo em suas escolhas se configura hoje como ponto de partida de nosso trabalho. Para este instante do agora e instantes futuros,  estamos ocupados em afirmar uma ética do desejo de cada um que não ponha em risco o projeto coletivo de construção de um mundo compatível com a igualdade de direitos de todos à saúde, à educação e ao trabalho. Assim posto, encerramos este breve resumo do nosso Programa de Educação Tutorial do curso de Licenciatura em Pedagogia na certeza antecipada do engajamento de todos nós, integrantes desse grupo, frente aos novos desafios que ainda estão por vir. Não, não foi para desistir que até aqui chegamos. Juntem-se, pois, a nós caso desejem também encampar nosso compromisso com a educação superior pública de qualidade e socialmente referenciada no exercício do indissociável tripé da universidade em suas ações de ensino, pesquisa e extensão.

 

Paulo Roberto Holanda Gurgel, tutor.

Anúncios
Publicado em POSTS | 2 Comentários

Seleção Mestrado e Doutorado em Educação

O Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia publica edital para o processo seletivo para mestrado e doutorado em 2018.1. Veja o edital.

 

ppge.png

Imagem retirada da internet
Publicado em Posts 2009 - 2013 | Deixe um comentário

Concurso para professor(a) da rede estadual

Saiu o edital do concurso para docência e coordenação pedagógica da Rede de Educação Estadual da Bahia.

concurso.png

Imagem disponível em: http://dimensaojornal.com.br/concurso-publico-estadual-para-professores/
Publicado em Posts 2009 - 2013 | Deixe um comentário

O PET Pedagogia lamenta a morte de Felipe Doss

Com 26 anos, Felipe Doss, estudante de Geografia da UFBA, participante ativo do movimento estudantil, teve sua vida ceifada.  PET Pedagogia lamenta a sua morte!

23318974_1624382014344075_4458432090345335902_n

*Imagem retirada da internet

Notícia completa: http://www.ufba.br/ufba_em_pauta/ufba-lamenta-morte-de-felipe-doss

Publicado em Posts 2009 - 2013 | Deixe um comentário

A escrita de professoras nos memoriais de formação

Artigo de Maria Couto Cunha, Marta Lícia Teles Brito de Jesus e Regina Lucia dos Santos Portela. “Este artigo discute as produções textuais dos memoriais de formação escritos por professoras de escolas públicas que fizeram o curso de Licenciatura Especial em Pedagogia, na Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (FACED/UFBA), entre os anos de 2010 e 2013, no contexto do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR).”

Confiram o artigo na íntegra disponível em: http://www.revistas.uneb.br/index.…/…/article/view/3375/2512

Publicado em Posts 2009 - 2013 | Deixe um comentário

A importância da Psicologia da Educação para a minha formação em Pedagogia

Por Valéria Benedicto
Graduanda em Pedagogia da UFBA
Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET

 

jhjbhbkjFonte: http://portefolio-psicologia-da-ed.webnode.pt/psicologia-da-educa%C3%A7%C3%A3o/

De um modo geral, os cursos de Graduação em Pedagogia no Brasil oferecem em sua matriz curricular diversos componentes voltados para uma maior aproximação dos estudantes com a Psicologia. Nessa direção, pode ser citado, como exemplo, o Curso de Pedagogia, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), instituição onde realizo a minha formação.

Uma breve análise da matriz curricular do referido curso revela a existência de, pelo menos, quatro componentes curriculares que pertencem ao campo disciplinar da Psicologia: Psicologia da Educação, Psicanálise e Educação, Introdução à Psicopedagogia e Psicologia Social; e diversos outros componentes que tomam como base ou, ao menos, levam em consideração os conteúdos da Psicologia. Diante disso, pretende-se refletir sobre a importância desta ciência na formação do(a) pedagogo(a).

A Psicologia, como se sabe, se encarrega de analisar comportamentos e atitudes, prevenir e tratar distúrbios emocionais, problemas mentais e analisar as emoções dos seres humanos (BOCK, FURTADO e TEIXEIRA, 2009). A Pedagogia, por outro lado, estuda os fenômenos educativos e também pensa formas de intervir de forma mais acertada nas realidades estudadas. Nesse sentido, é possível dizer que é necessário ao(a) pedagogo(a), profissional que irá lidar com processos de ensino-aprendizagem em diversos espaços escolares e não-escolares e com diferentes públicos, conhecer as teorias que lidam com o desenvolvimento do ser humano.

Na minha experiência, os estudos Psicológicos da Educação são principalmente voltados para a análise das teorias do desenvolvimento baseadas nas contribuições da Psicologia da Aprendizagem, a exemplo, das teorias de Jean Piaget, Lev Vygotsky e da Análise Comportamental (Behaviorismo) e suas implicações para a área da educação. Todos imprescindíveis para um melhor entendimento dos fenômenos educacionais, de início aparentemente simples, mas que são extremamente complexos, quando analisados pelos fundamentos teóricos oferecidos durante o curso, e pelo estudo da Psicologia da Educação em particular.

Entender melhor as questões envolvidas nos processos que definem de que maneira os sujeitos aprendem e, ao mesmo tempo, pensar estratégias didático-pedagógicas capazes de potencializar no sujeito essa capacidade, que ele traz na sua herança biopsicossocial, não é uma tarefa simples. Assim, é possível perceber o quanto o estudo da Psicologia pode contribuir para facilitar a compreensão do desenvolvimento do aluno e do papel do professor no processo de ensino-aprendizagem.

Sem os estudos da Psicologia da Educação, arrisco-me a afirmar que a formação do(a) pedagogo(a), ou melhor, o exercício da Pedagogia ficaria engessado a práticas excessivamente empíricas, sem vislumbrar o quanto é importante escolher boas lentes teóricas para o aprofundamento e a problematização dos desafios que se colocam para todos que desejam trabalhar com a formação de crianças, jovens, adultos e/ou idosos.

 

REFERÊNCIAS

BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair e TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 2008. 14ª Ed.

DALEPE. Grade Curricular – Pedagogia UFS. Disponível em: <http://dalepeufs.blogspot.com.br/p/grade-curricular.html&gt;. Acesso em: 11/07/2017

DANTAS, Tiago. Condicionamento. Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/psicologia/condicionamento.htm&gt;. Acesso em 30 de outubro de 2017.

GUIA DO ESTUDANTE. Psicologia. Disponível em: <http://guiadoestudante.abril.com.br/profissoes/psicologia/&gt;. Acesso em: 11/07/2017

HENKLAIN, Marcelo Henrique Oliveira e CARMO, João dos Santos. Contribuições da análise do comportamento à educação: um convite ao diálogo. Cad. Pesqui. [online]. 2013, vol.43, n.149, pp.704-723. ISSN 0100-1574.  http://dx.doi.org/10.1590/S0100-15742013000200016.

KELLER, F.S e SCHOENFELD, W. N. Princípios de Psicologia: um texto sistemático na ciência de comportamento. São Paulo: Herder, 1970 (Coleção Ciências do comportamento). In: ____. Aprendizagem: teoria do reforço. São Paulo: EPU,1973.

PEREIRA, Lucila Conceição. Teoria Cognitiva. Disponível em: <https://www.infoescola.com/educacao/teoria-cognitiva/&gt;. Acesso em: 20/10/2017

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA. Grade Curricular. Disponível em: <https://alunoweb.ufba.br/SiacWWW/CurriculoCursoGradePublico.do?cdCurso=312140&nuPerCursoInicial=20092&gt;. Acesso em: 11/07/2017

 

 

 

 

Publicado em Posts 2009 - 2013 | Deixe um comentário

O caráter educador dos ambientes externos na Educação Infantil

Por: Ilmara Silva Santos
Graduanda em Pedagogia – UFBA
Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET

 

ok11074192_999977266703460_8876146194906752685_nDisponível em: http://educacaoinfantilcj.blogspot.com.br/2015/06/

Em muitas escolas do Brasil, o local considerado como formativo se restringe a sala de aula, não incluindo a instituição escolar como um todo. Muitas vezes, as outras dependências são consideradas importantes apenas no momento do recreio, ou seja, são vistas apenas como espaços de recreação, desconsiderando a sua importância para a proposta pedagógica em curso.

A área externa pode ser utilizada tanto para momentos de brincar livre quanto para momentos que possuem atividades direcionadas pelos educadores, visto que “o espaço externo é rico para o olhar curioso das crianças, que gostam de colecionar pequenos bichinhos, pedras, folhas e cascalhos […]” (BRASIL, 2012, p.33). Dessa forma, o caráter pedagógico também deve ser atribuído a esse local.

No cenário educacional brasileiro é possível perceber que a área externa é, diversas vezes, invisibilizada, com poucos brinquedos e, em alguns casos, extremamente limitadas. Realidade diferente do que versam os Indicadores de Qualidade na Educação Infantil (2009),

Os ambientes físicos da instituição de educação infantil devem refletir uma concepção de educação e cuidado respeitosa das necessidades de desenvolvimento das crianças, em todos seus aspectos: físico, afetivo, cognitivo, criativo. […] espaços externos bem cuidados, com jardim e áreas para brincadeiras e jogos, indicam a atenção ao contato com a natureza e à necessidade das crianças de correr, pular, jogar bola, brincar com areia e água, entre outras atividades. (MEC/SEB, 2009, p. 50)

Ainda pelo viés de uma proposta educacional que respeita a criança e as suas necessidades, as noções de espaço e de ambiente concebidas por Forneiro (1998) são extremamente importantes. O espaço é o lugar onde as atividades são realizadas e contém objetos e o ambiente se coloca como o conjunto do espaço físico e as relações que são estabelecidas nele.

Assim, podemos entender o ambiente na perspectiva material, funcional e relacional, logo a instituição de Educação Infantil não pode pensar um único espaço para a aprendizagem. É preciso fazer com que os espaços dialoguem entre si, considerando as relações entre crianças-adultos; crianças-crianças; crianças-objetos; a fim de construir um ambiente acolhedor, propício à criação, experimentação, imaginação, brincadeira e interação.  

O ambiente configurado de maneira integrada e acessível potencializa as relações humanas estabelecidas no local, propiciando a autonomia da criança e fazendo com que o seu processo de aprendizagem não seja exclusivamente dependente de um adulto. Nesse sentido, a criança passa a ser protagonista da sua construção de conhecimento, pois tem liberdade para tomar decisões e escolher o que quer explorar.

Por entender a Instituição de Educação Infantil como um ambiente constituído de espaços integrados, as áreas externas não podem ficar à margem do planejamento pedagógico. Estudos apontam efeitos positivos na interação das crianças com a natureza, cabe salientar que as atividades desenvolvidas nos ambientes externos das escolas possibilitam a criança lidar com situações adversas (CAOBELLI, 2013, apud HORN, 2014).

Reconhecer o espaço externo como local necessário na Instituição de Educação Infantil oportuniza a coletividade e troca de experiências entre crianças de idades diferentes, ou seja, é um local integrador e dinamicamente ressignificado.  Assim como os demais espaços não são neutros e, por esse motivo, necessitam de uma organização, visando respeitar as necessidades biológicas, motoras e psicológicas das crianças, é preciso planejar o espaço externo para assegurar que as experiências sejam tanto prazerosas quanto significativas para todos os envolvidos.

Focalizar o espaço e ambiente de forma integrada é uma forma de refletir sobre o currículo da Educação Infantil, porque nele irão se estabelecer os dois eixos curriculares principais: as interações e as brincadeiras, que são suportes para o trabalho com as diversas áreas de conhecimento. Por esse motivo, precisamos lutar para defender os pátios, jardins e parques, como palcos potenciais de atividades significativas (HORN, 2014).  

Assim como Horn (2009), defendo que o espaço externo pode ser usado como um prolongamento das atividades, possibilitando aprendizagens significativas da mesma forma que os espaços internos são capazes de construir.  

Portanto defender o espaço  externo como parte do trabalho educativo é de suma importância. Este além de ser bonito e arrumado, requer qualidade em sua organização estrutural, disposição de materiais bem como dialogar com as diferentes infâncias que ali circulam. Sendo assim, é preciso lutar por algo que muitas vezes as crianças não têm fora da escola, ou seja, um lugar em que possam ser livres, se desafiem, vivenciem e produzam cultura.

Referências       

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Indicadores da Qualidade na Educação Infantil. Secretaria da Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, 2009.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Secretaria de Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, 2010.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Organização do espaço físico, dos brinquedos e materiais para bebês e crianças pequenas: manual de orientação pedagógica: módulo 4. Brasília: MEC/SEB, 2012.  

BRASIL. Organização dos espaços externos das unidades do Proinfância. Projeto OEI/BRA/09/001 – “Fortalecimento institucional das secretarias municipais de educação na formulação e implementação da política municipal de educação infantil”. Brasília: MEC, SEB, 2014.

HADDAD, Lenira; HORN, Maria da Graça Souza. Criança quer mais do que espaço. Revista Educação – Edição especial “Educação Infantil”. São Paulo, volume 1, 2011, p. 42-59.

MELLO, Ana Maria. Leituras sobre o tempo: o dia a dia das creches e pré-escolas. Revista Educação – Edição especial “Educação Infantil”. São Paulo, volume 1, 2011, p. 60-75.   

 

Publicado em POSTS | Marcado com , | Deixe um comentário

A contação de histórias como prática educativa

Por Isadora Cruz
Graduanda em Pedagogia da UFBA
Bolsista do Programa de Educação Tutorial – PET

 

sahbmaDisponível em: http://www.lendo.org/guia-definitivo-contacao-historias/

 

A contação de histórias é uma prática muito antiga e de grande relevância para a história da humanidade. Documenta-se que, antes mesmo da escrita ser inventada, já havia o costume de utilizar o conto oral como instrumento de transmissão de conhecimento. Através dessa tradição oral muitas sociedades conseguiram preservar a sua cultura, e, consequentemente, deixaram um rico legado de saberes, crenças e tradições, pois cada geração tinha o dever de contar as histórias para as gerações seguintes (BUSSATO, 2003; PATRINI, 2005).

 

O conto oral é uma das mais antigas formas de expressão. E a voz constitui o mais antigo meio de transmissão. Graças à voz, o conto é difundido no mundo inteiro, preenche diferentes funções, dando conselhos, estabelecendo normas e valores, atentando os desejos sonhados e imaginados, levando às regiões mais longínquas a sabedoria dos homens experimentados (PATRINI, 2005, p.118).

 

Pode-se dizer que a contação de histórias configura-se como um ato de resistência e de preservação identitária, pois, mesmo com o advento de novas tecnologias de informação e comunicação, é um processo que perdura até os dias atuais e que ocorre em diversos ambientes de socialização, especialmente no núcleo familiar e na escola.

A família é a primeira e principal fonte de histórias. No ambiente familiar, ouvimos nossas primeiras histórias, visto que as pessoas constituintes dessa instituição social são as primeiras a intermediar o contato da criança com o texto oral. É, através desse texto, que se tem uma das mais ricas formas de apresentar outros contextos e o passo inicial para a “leitura de mundo” (FREIRE, 1989). Afinal, as crianças não precisam ouvir histórias apenas quando já adquiriram o sistema de representação da língua escrita.

 

 “[…] como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias… escutá-las é o início da aprendizagem para ser leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo […]”. (ABRAMOVICH, 1997, p.16).

 

No chão da escola, essa prática tem um significativo papel no processo de ensino-aprendizagem, podendo ser trabalhada de diversas formas. A contação de história apresenta as crianças ao universo da narrativa e, por isso, pode ser um poderoso instrumento para promover o gosto e hábito à leitura, a ampliação das experiências sociais, o desenvolvimento da imaginação, a capacidade de escutar e dar sequência lógica aos fatos, a ampliação do vocabulário e a potencialização da importância da linguagem oral.

Com o intuito de propiciar o conhecimento e o encanto dessa arte que atravessou os tempos, o(a) professor(a) precisa planejar o momento da contação de histórias, sendo importante conhecer previamente o que será narrado para as crianças, durante o momento educativo, para que não perca o que tem de lúdico e belo da contação de histórias.

 

[…] para a criança, não se pode fazer isso de qualquer jeito, pegando o primeiro volume que se vê na estante… E aí, no decorrer da leitura, demonstrar que não está familiarizado com uma ou outra palavra (ou com várias), empacar ao pronunciar o nome dum determinado personagem ou lugar, mostrar que não percebeu o jeito que o autor construiu suas frases e dando as pausas nos lugares errados, […] Por isso, ler o livro antes, bem lido, sentir como nos pega, nos emociona ou nos irrita… Assim quando chegar o momento de narrar a história, que se passe emoção verdadeira, aquela que vem lá de dentro, lá do fundinho, e que por isso, chega no ouvinte… (ABRAMOVICH, 1997, p. 18-20)

 

A contação de histórias deve fazer parte do acolhimento das crianças e deve ser feita sem improvisos, para ser uma experiência contagiante e de muita troca de experiências entre os participantes, permitindo que a ludicidade passe a fazer parte do cotidiano da escola.

 

O lúdico é importante no acolhimento da diversidade cultural, pois desperta a vontade de aprender sobre e compreender o outro, mas também é mais um elemento que modifica a história e o contexto. Quando adicionamos brincadeiras e estimulamos as crianças a interagir com a história contada, ela se apropria do conteúdo, faz relações com as suas vivências e imprime a sua própria marca. (BRAGA, GONÇALVES & SOARES, 2014, p.7)

 

Assim, cada conto narrado pode despertar o desejo de ensinar e aprender novos conhecimentos, através de diferentes reações e significados atribuídos por cada criança com seu jeito único de perceber o mundo, pois as mesmas vivenciam ambientes e situações diversas fora da escola e terão muitas contribuições a oferecer durante a interpretação da história narrada, através de desenhos, brincadeiras, jogos, entre outros.

Por fim, a atividade de contar histórias é uma forma potente de combate à rotinização do trabalho docente. Essa prática pode trazer novos elementos para a sala de aula, colaborando, assim, para a promoção de uma educação saudável, rica em descobertas e aprendizados e marcada pela nossa sábia tradição de ouvir e contar histórias.

 

REFERÊNCIAS

 

ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 1997.

BRAGA, Clarissa Bittencourt de Pinho e & GONÇALVES, Rosselini Brasileira Rosa Muniz & SOARES, Dielma, Castro. O canto do conto como ferramenta de disseminação da diversidade étnica nas histórias infantis. Congresso luso-brasileiro de história da educação, 2014.

BUSATTO, Cléo. Contar e encantar: pequenos grandes segredos da narrativa. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989.

PATRINI, Maria de Lourdes. A renovação do conto: emergência de uma pratica oral. São Paulo: Cortez, 2005.

 

 

 

 

Publicado em Posts 2009 - 2013 | Deixe um comentário